
Nove e meia da manhã.
Avenida Vinte Três de Maio. São Paulo.
Ainda cedo e o Sol já estava quente no céu.
Carros subiam e desciam a avenida num movimento frenético que deixava todas as faixas lotadas.
Meu ônibus tentava chegar até o centro, o que pela velocidade, ia demorar muito.
Nada de novidade. Mais um dia caótico nessa cidade que não para nunca.
Meu pensamento longe. Definitivamente longe.
Avistei uma cena que contrastava com tudo ao redor.
Poderia ser só mais uma, em meio a tantas outras que a cidade trás a todo segundo, mas essa me chamou a atenção de uma forma especial.
Em cima de uma passarela, um casal se beijava.
Não era um beijo qualquer, tinha uma mistura de paixão e carinho, que a muito não via.
No primeiro momento achei que seria um beijo rápido e o casal entraria no ritmo acelerado da cidade se misturando a multidão e desaparecendo pra sempre.
Como o beijo não terminava, fiquei imaginado como eles teriam se conhecido.
Mil possibilidades divagaram na minha cabeça.
Algumas me colocando um leve sorriso nos lábios.
O ônibus se aproximou mais, pude observar cada detalhe das roupas, dos cabelos, dos gestos dos dois.
Era um entrelace perfeito.
Até a tonalidade das roupas, do boné que ele tinha na cabeça que combinava com a roupa dela, até a cor da pele e do cabelo, formavam uma imagem que se harmonizava totalmente.
Tanto barulho. Tanta gente passando. Carros e motos por todos os lados e o beijo de amor simplesmente continuava como se ao redor deles tivesse uma bolha invisível de proteção, formando um mundo que era somente dos dois.
Talvez existisse mesmo uma bolha, criada pela paixão que emanava com uma força que era possível se sentir mesmo à distância.
Em meio à turbulência do dia-a-dia, da violência que salta aos olhos, da condição degradante que a alma humana vem se transformando, de tanto desamor, uma cena de beijo se torna, cada vez mais, algo que se destaca como uma paisagem fora de contexto. Pensei: Muito triste isso, deveria ser ao contrário.
Olhei para o relógio enquanto o ônibus circundava a passarela fazendo com que eu tivesse que me virar para poder continuar observando os dois.
Mais de dez minutos haviam se passado, o ônibus se afastou e os perdi de vista.
O beijo interminável seguiu seu destino deixando em mim uma inevitável vontade de estar, também, no meu mundo particular...
Que nesse dia tão especial para toda a sociedade Brasileira, em busca de um crescimento verdadeiro e democrático, possamos beijar nosso amor, olhar nos olhos e saber que temos a escolha de formarmos com essa pessoa especial uma familia, indepentente de sermos homo ou hetero. Hoje TODOS os brasileiros tem o direito legal de ter o seu "mundo particular", isso é maravilhoso! Não acham? bjus de carinho a todos
ResponderExcluirNão conta pra ninguém..mas o garoto ai aos beijos era eu claro...kkkk..brincadeira..que post lindo..queria eu escrever assim...
ResponderExcluirBJO.nando
Devia ser vc mesmo meu amor!Apaixonado do que é...rs. Bem vindo a Casinha, toda semana, novidades! Pensamentos eh o que não faltam nessa minha cabecinha.
ResponderExcluirbjus te amo