
Quem nunca imaginou de onde teríamos vindo. Nossa origem, nossos ancestrais.
Em meus devaneios, que não são nada raros, apenas pouco publicáveis, imagino que vim da natureza, da terra, do ar, do mar, do fogo, de uma árvore.
Muitas vezes já fui uma brisa, calma, reconfortante, fresca.
Muitas vezes uma ventania, batendo portas e janelas, invadindo tudo, revirando os papeis da mesa, levantando as folhas do chão.
Não posso negar meus momentos de furacão, destruindo com fúria tudo que encontrava pela frente.
Tenho dias de terra seca improdutiva, dias de terra encharcada de lágrimas, dias de terra tão produtivas que dariam toneladas de sementes germinadas.
Já fui mar calmo, já fui mar bravo, já levei coisas para dentro e depois com a mesma força as joguei par fora.
Gosto de ser chuva de verão, que alivia o calor, gosto de ser labaredas flamejantes que queimam dentro e fora.
Sou, muitas vezes, as quatro estações, inverno de solidão, outono de esperança, primavera de flores lindas e verão de paixão.
Às vezes, quero brilhar como a lua cheia e às vezes me esconder como a lua nova.
Já fui arvore cheia de flores pronta pra dar frutos e destruída por chuva de granizo. Já fui arvore de inverno, quem via de longe só enxergava os ganhos secos e sem vida. E hoje, sou arvore de outono renovando cada folha, se preparando pra uma nova florada.
E você já virou natureza?
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